Gestão Ativa x Passiva: Conveniência ou Conflito nas Carteiras das EFPCs

Resumo da Palestra


A palestra "Gestão Ativa x Passiva: Conveniência ou Conflito nas Carteiras das EFPCs" no evento EPINNE/EPB 2025, com Roberto Esteves, Roberto Lira e Rogério Poppe, mediada por Tiago Vilas Bôas, destacou a relevância e a superioridade da gestão ativa no contexto brasileiro para as Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPCs). A mensagem central é que, apesar da crescente popularidade global da gestão passiva, as características únicas do mercado de capitais brasileiro oferecem um terreno fértil para que a gestão ativa gere valor significativo e consistente a longo prazo, superando os desafios e entregando resultados superiores.


🧠 Reflexões Iniciais:


  • A gestão passiva, que busca replicar índices com baixo custo, tem ganhado apelo globalmente.
  • No entanto, o mercado brasileiro apresenta peculiaridades que desafiam a eficácia dessa abordagem.


📈 A Vantagem da Gestão Ativa no Brasil:


  • O mercado brasileiro é menor e está passando por um processo de consolidação e concentração de papéis.
  • A gestão ativa permite superar o índice a longo prazo, com menor volatilidade e baixa concentração por papel.
  • Há liberdade para investir em empresas fora do Ibovespa, incluindo aquelas de alta qualidade ainda não amplamente reconhecidas.
  • A disciplina da gestão ativa possibilita fazer caixa em momentos de euforia e adquirir ativos descontados.
  • A busca por empresas de "business previsível" e a capacidade de girar o portfólio são diferenciais.
  • No Brasil, a gestão ativa tem a capacidade de gerar "alfa" (retorno acima do índice), diferentemente de mercados mais eficientes.
  • Experiência de gestores com mais de 20 anos no mercado reforça a convicção na gestão ativa.
  • ETFs olham para o passado; a gestão ativa foca na análise fundamentalista e no futuro das empresas.
  • Empresas brasileiras, por serem mais focadas na indústria doméstica, não possuem a escalabilidade global das grandes empresas americanas, limitando a replicação de retornos de índices concentrados.


🛡️ Gestão de Risco e Preservação de Capital:


  • A prioridade é evitar a perda permanente de capital, selecionando empresas que sejam "vencedoras de longo prazo".
  • Forte cautela com empresas alavancadas, mesmo que pareçam baratas, pois podem ter retornos associados a riscos excessivos.
  • O horizonte de investimento deve ser de longo prazo, compreendendo os ciclos de mercado (euforia e depressão).
  • A diversificação dos investimentos e setores é crucial para reduzir a probabilidade de erros.
  • Análise aprofundada da governança, dos controladores e do histórico das empresas investidas.
  • Não investimento em setores com riscos não previsíveis, focando na qualidade e na previsibilidade do negócio.


💡 Estratégias de Geração de Alfa:


  • Identificação de oportunidades em empresas descontadas e com alta previsibilidade de negócio.
  • Cuidado especial com "small caps": apesar do potencial, exigem avaliação precisa do timing para que o mercado reconheça o valor.
  • Busca por assimetrias de informação e valor intrínseco.
  • O processo de análise envolve aprofundamento em empresas e setores, com o analista sempre podendo propor novas ideias.
  • Exemplo de investimento em "small cap" de sucesso com tecnologia embarcada e bom business (Olympikus), mas ressaltando a importância da seletividade.
  • A qualidade do papel e a identificação da empresa são fundamentais para o sucesso da gestão.


🎯 Alinhamento com Passivos e Futuro:


  • Para as EFPCs, a gestão ativa é mais alinhada aos passivos de longo prazo do que produtos como "Bond Proxies".
  • A capacidade de buscar os ativos com melhor retorno, sem estar atrelado a metas rígidas de índice, permite maior flexibilidade.
  • A tendência de consolidação no mercado de gestão ativa no Brasil indica que poucas gestoras de excelência concentrarão a maioria dos investimentos.
  • A longevidade da gestora no mercado, com a experiência de ter passado por diversos ciclos, é um critério fundamental de avaliação.
  • O futuro da gestão ativa no Brasil será caracterizado por gestoras mais focadas e com processos rigorosos, diferenciando-se daquelas que não priorizam a previsibilidade.


📣 Chamado à Ação:


  • Priorize gestoras com profundo conhecimento do mercado brasileiro e um histórico comprovado de superação de ciclos.
  • Busque equipes experientes capazes de identificar valor e proteger o capital dos cotistas a longo prazo.
  • Valorize a análise fundamentalista e a disciplina na gestão para maximizar o retorno em carteiras de longo prazo como as das EFPCs.


💬 Frases de Impacto:


  • "A gestão ativa no Brasil faz muita diferença."
  • "Te permite ter essa disciplina de momentos de euforia, quando os ativos estão muito bem precocados, é possível fazer caixa, comprar outros ativos que ainda não estão bem precocados."
  • "É comparar meio que banana com uma empresa."
  • "Qual a qualidade daquele papel? Quem vai identificar aquela empresa? Tão importante e vai ser sempre muito importante."
  • "As empresas que parecem mais baratas são as empresas mais alavancadas."
  • "O outro jeito também de você reduzir essa probabilidade da perda de capital permanente é você muito divulgar nos investimentos."
  • "Tem que ser muito poucas small caps que vale a pena você ser sócio."
  • "Primeira pergunta tem que ser: quantos anos essa gestora tem de vida?"